./abril 2023

"vinicius eh? su nombre está famoso ahora. jajaja"

"vinicius tu jugas muy bien. creo que está en sus genes"

eu: "hay algun baño abajo?"
guia: "no, no hay"
eu: "entonces mejor ir ahora!"
austríaca: "mejor ahora!!!"

"שלום חבר 😁
לצערי הרב גם בעברית כרגע אין עותק ולמיטב ידיעתי אין אותו לאף אחד 😥
בכל מקרה תודה רבה שאתה מגיב פה ואני ממש שמח שנהנית מהסרטונים אם אתה מעוניין אוכל לתת לך קישור להורדת משחקי scoop בעברית
🇧🇷✌🇮🇱"

"de niño yo era un genio. pero después vino el alcohol y las drogas y ahora soy mucho más tonto"

"los mayores... sabeis como son los mayores. a ellos les gusta hablar"

"what is the stereotype that bothers you the most about italy?"
"*thinking* ...I don't know..."
"the mafia?"
"no, that's true... I guess the stereotype I hate the most is that people think we don't work. that we're lazy"
"oh? I have never heard about that stereotype!"
"really! that's good. that means we've been successful in... shushing it."
"yeah, I had never heard of anything like that about italians."
"and what about you? what is the stereotype that bothers you the most about brazil?"
"*thinking* ...hmm... the size, I think. people think that it's a lot smaller than what it actually is"
"..oh. ? really ?"
"yeah. if I had to pick anything, it might be that."
"that's... curious"
"I mean, people think it's large, but it's larger than europe, you know?"
"OHHHHH... OH OK. I thought you were talking about a different.. kind.. of size"
".... ?????????????????????"

"sacromonte es como una favela gourmet"


abril foi um mês eventuoso. o dado mais impactante que eu posso dar sobre esse tema é que, dentre os quatro finais de semana de abril, eu e silvia viajamos em três: pra bilbao, pra santiago, e pra granada. três sobre quatro é 75%, vulgarmente conhecido como "mais da metade" -- o que significa que eu finalmente me tornei um dos meus maiores pesadelos: alguém que viaja. se você estiver falando comigo e de repente eu começar uma frase com "quando eu estava em santiago de compostela...", tenha piedade -- eles não sabem o que fazem.

esse negócio de viajar me deixou (1) exausto e (2) pensando sobre o que significa viajar. e aí, o que significa viajar? viajar é importante? é necessário pra construir caráter? é tudo isso aí que dizem? bom, durante 23 anos da minha vida eu praticamente nunca saí do rio de janeiro, então uma coisa é certa: é possível viver sem viajar. mas tanta gente fala que viajar é importante pra conhecer outras culturas, pra formar memórias, pra sair da mesmice... será que viver sem viajar é uma vida que vale a pena ser vivida? depois de tanto viajar, minha resposta é:

viajar é um hobby, só isso. igual a jardinagem e a jogar jogos de tabuleiro, só que mais caro que esse último -- algo que eu achava francamente impossível. a verdade é que depois de visitar lugares muito famosos (e lindos!) como a Sagrada Familia, a Alhambra, a Catedral de Sevilla etc, eu me sinto... fundamentalmente inalterado. é maneiro ir lá e ver o lugar bonito e tal, sem dúvida alguma, mas não é algo que mudou a forma como eu vejo o mundo, sabe? é uma agregação de conhecimento histórico, e pouco mais. é legal pra caralho você entrar no Palácio Arzobispal de Alcalá e internalizar: "foi aqui que cristóvão colombo pediu dinheiro pra ir pra américa pela primeira vez". ou estar na Catedral de Santiago e perceber: "é aí que tá o corpo de um dos apóstolos de cristo (supostamente)". ou caminhar pelo País Vasco e pensar: "que estranho, nenhuma cruz de malta". tudo isso é maneiro pra caralho! mas não é algo que vai me fazer repensar a forma como eu vivo a minha vida.

(é importante comentar sobre o tipo de viagem que eu faço: eu não vou pros lugares pra ficar bebendo e festejando, como algumas pessoas fazem -- eu sou o cara que paga visita guiada em todos os monumentos antigos, e que vai nos museus da cidade pra ler todas as placas. nas palavras do projota: " e você deve tá pensando, que maluco nerd")

em suma: eu poderia viver o resto da minha vida sem viajar, e eu não acho que minha vida seria fundamentalmente pior -- viajar é um hobby e nada mais. pra efeito de comparação, isso é algo que eu não posso dizer sobre ler livros: se eu não pudesse mais ler livros, eu sinto 100% que minha vida seria pior de alguma forma fundamental, considerando que minha visão de mundo já foi impactada tantas vezes por livros que eu li. curiosamente eu não posso dizer o mesmo sobre filmes. sobre videogames é complicado

por último, é preciso diferenciar também (1) viajar de (2) morar fora. tudo que eu falei acima é sobre viajar -- sobre morar fora eu tenho uma opinião completamente diferente. sair do RJ pra morar na espanha por 1 ano mudou sim a minha visão de mundo, de maneiras tão fundamentais que agora eu sinto que sem elas eu seria alguém diferente. mas sobre isso eu falo em algum outro momento. são sentimentos complexos que eu ainda não entendo completamente, uma mistura de "eu não sabia que cidades podiam ser... *gesticula* assim" com "Hoje Eu Tive Que Explicar O Que É Uma Milícia E Me Senti Muito Mal". dáme tiempo

eu acabei falando muito de viagem nesse relato mensal né, mas além de viajar eu também trabalhei -- em particular, eu trabalhei feito um corno. na verdade meu acho que esse foi o mês que eu mais trabalhei desde que eu cheguei aqui na espanha, por conta de uma história que eu não posso contar agora porque eu não sei qual vai ser o desfecho. mas graças a ela e às viagens, eu basicamente não fiz mais nada em abril -- não li, não joguei, não escrevi, não assisti nada (além do Mário). tem mês que é assim -- e tá bom!